domingo, janeiro 06, 2008

Esperança para um Ano Novo


Para a Renovação.
É um texto um bocadinho longo, escrito por um voluntário da GASPorto, mas que vale a pena ser lido, na minha opinião. :)


"Todos os anos abundam os votos, os desejos de um bom começo, muito sucesso, muito amor. Em cada Natal, assim como em cada Ano Novo, há uma corrente de amor e de sinceridade – assim aparenta – que percorre o mundo. Queremos que todos sejam felizes, todos cumpram os seus sonhos, todos progridam e se tornem em pessoas mais alegres e realizadas. Fala-se em amor, fala-se em paz. Na boca de cada um há sempre uma palavra bonita, um conceito elevado, como se cada um reconhecesse de facto o que é isso de paz, de amor, e como se realmente desejasse e afirmasse na sua vida a partir desse momento essas verdades, praticando-as com fervor. Eu próprio já escrevi poemas, já exortei à compreensão, ao voluntarismo e à caridade como caminhos fundamentais para que o mundo se torne pelo menos mais digno. A realidade, porém, é pesada e não tarda a afundar de novo todas as exortações tão bem intencionadas, para que caiam, mais uma vez, no esquecimento até que um novo Natal ou um novo ano as resgate do fundo do inconsciente colectivo.

É triste, porque o mundo não melhora a cada ano que passa. Todos reconhecem o valor dos ideais elevados, mas no geral, a forma de agir repete-se indefinidamente, os mesmos ódios, as mesmas intrigas, o mesmo egoísmo disfarçado, a mesma hipocrisia. Nas suas vidas normais é raro que alguém responda ao mal que lhe fazem com o bem - nem pensar, isso ainda é visto como «dar a parte fraca»! Em Israel e na Palestina continua a filosofia do «Olho por olho, dente por dente»; os grandes continuam a resolver os problemas, já em si radicados no ódio, fomentando ainda mais ódio. «Nunca cortes o que pode ser desatado», li eu algures e não me esqueci nunca mais. Tanto a uma escala mais pequena, na nossa vida de todos os dias em que somos como actores que representam incessantemente, é difícil cultivar a paciência de resolver as situações mais delicadas desatando o nó – é mais fácil cortá-lo. Porém, ao cortar estragamos o fio, e já nem podemos amarrar nem coser…Os grandes fazem a guerra porque a força é uma tentação de quem tem muito poder. Não significa inteligência, mas pobreza de espírito. O que parece ficar resolvido à força de obuses há-de voltar contra nós com muito mais intensidade e de uma forma muito mais indomável. É só uma questão de tempo…

(...)

Na verdade, aquilo que quero neste texto breve é fazer diferente do que se tem feito por aí. Não pretendo só exortar vagamente ao amor, à paz, e todos esses ideais elevados. Quero dar alguns métodos práticos para o crescimento individual. Porém, faço aqui um aviso que considero importante. Podemos aprender a crescer. Há maneiras e formas de viver e de agir que nos podem tornar pessoas melhores e, por inerência, mais felizes. Peço que não se confunda isto com as célebres receitas do seja feliz que se encontram nas prateleiras da secção espiritualidades de qualquer livraria. Qualquer receita dessas só pode ocultar mentiras e sobretudo enormes perigos. Não se é feliz primeiro e, só depois, uma pessoa melhor. É-se primeiro uma pessoa melhor e, só depois de muito exercício, muita meditação sobre questões essenciais e sobre os problemas da vida através de um perspectiva alargada e séria, é que se pode atingir um determinado estado de calma e de paz interior que nos dá – só nessa altura – condições para então buscarmos essa felicidade legitima que a que todos temos direito. Peço que se atente a isto muito seriamente.

De facto para o ano que se avizinha exorto - embora não diga absolutamente nada de novo - ao Amor. Como? Já o disseram muitos outros antes de mim, entre eles o nosso amigo Cristo a quem devemos em parte a sociedade que somos hoje. Mas só em parte, diga-se, porque também somos filhos de Maquiavel, só como exemplo…

Queremos amor, certo? Todos queremos amor. Todos nos achamos com direito ao amor, todos nos achamos com direito de pedir aos outros que nos amem, todos nos achamos no direito de possuir o amor dos outros. Devemos questionar em primeiro lugar que tipo de Amor é que na realidade queremos. Se um amor frágil, fundamentado em sentimentos do momento, volátil e sujeito às intempéries, ou por outro lado um amor resistente, sólido, que não pretende possuir nada nem ninguém mas somente dar-se. Isto mais uma vez parece vago. Façamos pois exercícios para treinar este amor. Já falei em trabalho social. É uma forma de aprender a amar, mesmo quando não há contrapartidas imediatas. Trabalhar com idosos ou crianças carenciadas e difíceis obriga-nos a pôr de parte a possibilidade do outro nos devolver o amor, e cultivar a necessidade de procurar mais profundamente sinais dessa resposta. Sendo que naturalmente olhamos para uma mulher ou um homem com certo interesse consoante a beleza física, é também natural que nos sintamos mais atraídos ou sintamos «amor» por aqueles que nos podem oferecer alguma coisa em resposta ao nosso esforço. Pois entendamos que há um amor maior que pode resultar de um esforço maior. Procurar quem não tem nada para nos dar é uma forma de cultivar esse «amor maior». É lógico que também estamos em busca de alguma coisa que o outro nos possa dar, estamos sempre, não há um altruísmo absoluto, mas é de facto melhor para todos se devagar cada um de nós aprender a amar de uma forma mais ampla, ouvindo e cultivando a paciência, sorrindo perante a felicidade de que já não se está só porque há de facto quem precise de nós e quem desse tudo para nos ter por perto. Há coisas simples no nosso dia a dia para quem não tem grande tempo para trabalho social. Em primeiro lugar podemos aprender a olhar nos olhos quem fala connosco. Podemos aprender a cumprimentar olhos nos olhos, mão firme e sorriso nos lábios. É uma boa forma de dizermos «estamos aqui, sou teu irmão, posso ajudar-te?». Temos que acabar com os olhares desconfiados na porta do prédio, os bons dias meio sussurrados a olhar para o chão. Somos todos irmãos e, como tal, o facto de não nos conhecermos não nos torna diferentes uns dos outros e muito menos inimigos. Temos de ganhar coragem para falarmos a quem não conhecemos, no metro ou na rua, como se o víssemos todos os dias. Temos de ganhar coragem para sentarmos ao nosso lado na mesa do café o mendigo que nos pede cinquenta cêntimos e a nossa companhia, como já fiz uma vez. A não ser que seja proibido no estabelecimento junto com a proibição à entrada de animais. Nesse caso não tenhamos medo de protestar e de acompanhar o nosso homem à rua e prometer que não voltamos a pôr os pés num café estilo apartheid.

Em pequenos gestos podemos cultivar o amor todos os dias. Quando tivermos vontade de gritar com alguém procuremos entender que o que enviamos vem de volta. Assim procuremos convencer pela razão e menos pelo barulho… Só leva a que fiquemos com dores de cabeça e a garganta arranhada, e se a outra pessoa não tiver hipótese de resposta porque é frágil ou menos dotada, o que acabamos por fazer é semear o ódio que à força de um tempo retorna em forma de vingança. E sobretudo, temos de aprender a aceitar compromissos. Quando dissermos sim a alguma coisa saibamos ultrapassar dificuldades de uma forma madura para honrarmos esse sim. Não passemos a vida a dizer sim a tudo já com o contrato de rescisão anexado. Assim não damos tempo para desenvolver esse amor verdadeiro, construído, cimentado – a cumplicidade de quem já partilhou vivências. E não falo só do casamento, mas das relações em geral.

Amor, amor! Que mais posso dizer sobre o cultivo do amor que desejo para o ano que vem? Perdoar, a forma mais elevada de amor. O perdão tem um efeito bloqueador do ódio. Se alguém nos ofende e retribuímos, recebemos o ódio e voltamos a enviá-lo. Provavelmente continuaremos nisto até o ódio crescer de tal forma que se torne uma barreira irredutível entre nós. É um exercício de compreensão. Durante os meses de Agosto e Setembro, enquanto estive em Moçambique em missão, visitei a prisão da Macia, a vila onde estive. Compreendi como, as pessoas que lá estavam presas, não podiam ser vistas apenas e só como criminosos institucionalizados, que mereciam deveras o castigo pelos crimes que cometeram. Julgá-los de cima para baixo iria, provavelmente, fazer-me sentir um certo ódio por eles, neste caso, um certo desprezo. Quando estivesse entre eles não estaria a ajudá-los, não estaria a transmitir-lhes confiança e humanidade, mas só e apenas distância, o que lhes daria ainda mais razões para se auto-marginalizarem. Não. Preferi cumprimentá-los de mão aberta, de olhos nos olhos, de sorriso nos lábios. Uma palavra de compreensão, uma balela de entendimento e já era como eles. Foi o suficiente para se sentirem homens, que como sabemos é difícil num país com uma democracia deficiente, uma justiça de acordo, e uma educação nada melhor. Perdoar é acordar nos outros a sua humanidade mais profunda, mostrar que depois do erro há uma possibilidade de superação, e lá estaremos ao lado prontos para ajudar, como fez Gandhi ao suportar no corpo as vergastadas da policia inglesa na Índia colonial. A sociedade não é perfeita, está muito longe sequer de ser boa. Prender, matar, executar é só uma prova de que ainda estamos longe de resolver os nossos problemas mais sérios. Prender, matar, executar, até abortar, é a prova de que algo está seriamente a falhar, ou já falhou de todo na sociedade.

E quanto à paz que se deseja também por esta altura? Está intimamente ligada ao amor? É claro. O amor tem de ser amplo, a paz não foge à regra. A paz tem de ser a capacidade de estar sereno durante as maiores tempestades, embora seja das coisas mais difíceis que se possa pedir a um ser humano. A paz tem de vir de dentro, porque se estiver dependente do que está fora de nós, ou daquilo que não depende da nossa vontade, então nunca seremos paz – porque ter paz significa ser paz -. Certo, mais uma vez vago demais não é? Exercícios para ter paz: não é muito diferente do que já disse. Se fizermos por ter/dar amor, teremos paz. Se fizermos um esforço por nos tornarmos donos do que temos, e não escravos, será mais uma razão para não perdermos a calma quando não pudermos comprar o carro de que gostávamos, ou o telemóvel que andamos a namorar. Tudo depende de exercitarmos a nossa liberdade, porque a liberdade é isso mesmo – um exercício da vontade verdadeira. Se ouvirmos uma boa musica, se fizermos um esforço por captar a beleza mesmo quando não vemos senão escuridão, então saberemos que mesmo na adversidade podemos ter paz e sorrir. Temos de ter coisas para fazer e construir. Um conselho: se não tiver nada para fazer não caia na fácil tentação de ligar a tv e ver a novela x ou fazer zapping ad aeternum. É fácil, mas é extremamente deprimente. Leia coisas, saia à rua, fale com pessoas. Sinta que está a desenvolver, sinta que em cada coisa que faz, em cada coisa que diz há mais uma coisa que aprende, há mais um neurónio que acorda do seu sono milenar, há mais um degrau ultrapassado no seu crescimento pessoal. Agostinho da Silva dizia que para o homem talvez não seja essencial ser feliz, embora seja de facto essencial ser alegre. Tenha motivos para se alegrar. Admire-se com o mistério de uma noite estrelada, ou com um pensamento, ou uma obra de arte que o ultrapasse. Mas uma coisa eu digo e repito: ter paz não é um caminho fácil, mas difícil. É importante que saibamos distinguir entre uma paz medíocre, que é aquela que resulta do medo que fazer algo, de arriscar por vezes, essa paz que é aquela de que falava o Pessoa, «Triste de quem é feliz/ contente com o seu lar/ sem que um sonho num erguer de asa/faça até mais rubra a brasa/ da lareira a abandonar.». Aconselho a que faça, arrisque, vá à procura. Será mais satisfatória a paz associada à vitoria, do que a paz no sopé da montanha, onde só paira a sombra das alturas que se podiam ter atingido, mas por medo, não se atingiram. Saiba porém bem aquilo que procura. Não se meta em empresas por causa do lucro, por causa de bens materiais ou outras coisas afins. Se vai, então vá por aquilo que de facto vale a pena. Proponho um exercício: quando agarrar no cajado ponha a pergunta e visualize – serei uma pessoa melhor e mais pacifica depois disto? Então vá.

(...)

Ruben David"

sábado, janeiro 05, 2008

What if


"Every step that you take
Could be your biggest mistake
It could bend or it could break
That's the risk that you take

(...)

Let's take a breath, jump over the side

How can you know when you don't even try

Let's take a breath, jump over the side

You know that darkness always turns into light."

quinta-feira, janeiro 03, 2008

50 ways to improve your life in 2008

The holiday season is a time of renewal and a time to make those resolutions for personal betterment.

sexta-feira, dezembro 28, 2007




Será que têm direito de autor? ;p






















segunda-feira, dezembro 03, 2007

Os 7 vistos aos 17


O prometido é devido. Em resposta ao repto lançado pelo meu amigo
Pedro...espero que não tenhas criado nenhuma expectativa ;)


A minha infância

"A infância de cada pessoa deixa marcas profundas na sua personalidade. Há quem a tenha vivido de uma forma mais doce...outros de uma forma mais amarga e cruel. É um tempo que parece longínquo, inacessível e definitivamente passado, talvez encoberto pelo desejo de viver o presente. Mas, essa fase da nossa vida povoa-nos sempre a mente, levando a recordá-la com saudade. Um tempo feliz, no reino das brincadeiras. Mesmo sendo coesa, foi trazendo mudanças, ainda que de forma gradual. De um mundo pequenino, só meu, para um mundo enorme, de todos e, pela sua dimensão, incompreensível.
Com uma irmã, nasce a obrigação da cedência, sou "gato sapato", inevitavelmente. À medida que o tempo corre, alarga-se o mundo, novas pessoas, novas perspectivas, novos sentimentos. E, envoltas numa ténue névoa vão surgindo as memórias desse tempo, soltos episódios aqui e ali. Professores, carismáticos e inconfundíveis, cada um com um modo próprio de lidar connosco. Os colegas, cúmplices das travessuras, pequenas "ilegalidades", que levávamos a cabo secretamente e que, na maior parte das vezes, resultavam em experiências engraçadíssimas. Os amigos, que nunca mais vi, simples e sinceros, que me acompanharam na descoberta do mundo e de nós próprios, os jogos sempre diferentes, as confidências, as conversas, a alegria constante que se traduzia na permanente boa-disposição e nas gargalhadas sonoras...
Os anos trouxeram as suas fieis companheiras, novas experiências que vão esculpindo...meia escultura, prossigo, assídua colaborante...rumo."

sexta-feira, novembro 23, 2007



A Medicina Geral e Familiar é uma especialidade interessante,
uma especialidade que interessa.



Há muitos especialistas.
Sim, há médicos especializados em partes do nosso corpo
(coração, cérebro, rins, aparelho digestivo…)
Outros, em grupos de doenças
(infecciosas, imunologia, psiquiatria…)
Alguns médicos estão especializados
Em determinadas técnicas
(radiologia, análises clínicas, cirurgia cardíaca…)
Ou em idades específicas
(pediatria, geriatria…)
Há médicos para cada doença
São necessários
Mas...

… As doenças nunca vêm sozinhas,
Aparecem sempre numa pessoa
E são as pessoas que adoecem
ou se mantêm saudáveis
Precisamos de médicos especializados em cuidar da pessoa no seu conjunto
O médico de família sabe um pouco de todo
o tipo de doenças, órgãos ou técnicas.
E pode atender pessoas de distinto sexo,
idade ou estado de saúde.
Mas, sobretudo, conhece a pessoa inteira:
É capaz de tratar o todo e não apenas uma parte!

O médico de família é o especialista em pessoas…
Em pessoas e na família!

O médico de família é,
pois,
um médico especializado nos cuidados de saúde das pessoas,
que pertencem a uma família e vivem
numa determinada comunidade
Por isso, a nossa especialidade chama-se:

Medicina Geral e Familiar

segunda-feira, setembro 17, 2007

What do I know?


in "So you want to be a brain surgeon?"

sábado, julho 21, 2007

...

"Eis que o mundo de ti cai abolido
E tu ficas sozinho e muito longe
Com dois búzios do mar sobre os ouvidos
Ouvindo, só para ti, uma canção..."

Sophia de Mello Breyner

segunda-feira, julho 02, 2007

Uma sugestão

No mesmo mês, numa cidade entre os dois países, esteve o Damiano, il nostro amico romano!

Desde sempre entendido na fotografia, aqui fica a sugestão:
One hour Photo

quinta-feira, junho 28, 2007

Do absoluto e da riqueza - a "4 mãos"

E se em vez de trocarmos "memes" criassemos um "neo-meme", num exercicio simples?
Cada um vai ler calmamente os ultimos 10 posts do outro. Vamos deixar incubar na nossa cabeça o sentir dos textos, tentar dar uma resposta (meme) ao outro via mail. E da sintese que dai brotar criar um neo-meme, genuinamente nosso (com um pouco de cada um) que publicamos cada um no seu blog :)

Os nossos dilemas, as nossas dúvidas, as nossas incertezas, não são mais que um desafio do espírito que teima em nos espicaçar para não nos transformarmos em seres adormecidos. No desfilar apressado de vaidades, de conversas vazias, é fácil cair inadvertidamente na tentação da não-reflexão, do não-questionar, da corrente que nos rouba tempo, esse bem precioso, oferecido e muitas vezes desaproveitado.

O maior obstáculo à concretização de projectos de vida, a razão de todas as crises, é a desmotivação, a intranquilidade de andar à deriva, sem encontrar retribuição ao mais genuíno dos sorrisos. Mas, apesar de desilusões ou decepções... há que manter a perseverança da entrega. Confiar que no Outro reside uma riqueza a descobrir. Ai renascerá o sonho, a Fé e a Esperança próprios de quem, moribundo, ousa amar a vida, levantar-se e andar!

O desafio de reconhecer o absoluto do "outro", aceitar feliz que é quando perdemos o pé e deixamos de ter a segurança na nossa experiência existencial e egoísta, que é no dar-se a troco de um hipotético e mais que provável nada (por ser sempre absolutamente dependente da vontade incoercível e única do outro dar-se a troco de nada) que melhor nos apercebemos e valorizamos o profundo valor da nossa própria existência. Isto numa viagem de contornos caóticos que a única segurança que nos dá é aquela que no nosso ligamento suspensor tão bem conhecemos de termos de cair para que nos saibamos levantar.

Por isso, muitas vezes, ainda que dê por mim a sucumbir, quando me levanto, a revoltar-me contra a minha fraqueza que me faz cair, preciso de mergulhar e trazer à superfície os valores, as convicções, a Fé, que me mantém vivo, desperto e autêntico, os alicerces da identidade, que me permitem ir construindo, com lealdade, a escada da minha Vida.

Precisamos de Força! Desta que de tão humana tantas vezes se esvai... de coragem para permanecer de mãos firmemente atadas ao leme das nossas vidas! Indiferentes ao clima, fieis à rota que dia a dia se vai trilhando. Cheios de Fé! porque a Fé é mesmo isto, acreditar e confiar no Bem maior sem que se consiga demonstrá-Lo aos outros, e por vezes a nós próprios.

Posted by Maria e Pedro

segunda-feira, junho 25, 2007

sábado, junho 23, 2007

Bom S.João!

Retirado daqui. (nesse ano uma das cabecitas era a minha)

E este ano...há fotos aqui e aqui :)

domingo, junho 17, 2007

Viajar

"Viajar? Para viajar basta existir.

Vou de dia para dia , como de estação para estação,

no comboio do meu corpo, ou do meu destino,

debruçado sobre as ruas e as praças, sobre os gestos e os rostos,

sempre iguais e sempre diferentes,

como , afinal, as paisagens são.

Se imagino, vejo. Que mais faço eu se viajo?

Só a fraqueza extrema da imaginação justifica

que se tenha que deslocar para sentir.
(...)
É em nós que as paisagens têm paisagem.

Por isso, se as imagino, as crio;

se as crio, são; se são, vejo-as como as outras.

Para que viajar?

Em Berlim, na Persia, na China, nos Polos ambos,

onde estaria eu senão em mim mesmo,

e no tipo e género das minhas sensações?

A vida é o que fazemos dela.

As viagens são os viajantes.

O que vemos, não é o que vemos, senão o que somos."

(2 - 51, dact.)
Livro do Desassossego, Bernardo Soares

domingo, junho 10, 2007

sábado, junho 09, 2007

Uma cidade



Uma semana de férias...1 tarde, 6 noites, 7 dias. 3 amigas. 1 cidade.

Uma descrição fantástica - obrigatório clicar!! "Há em Madrid um equilíbrio incomum entre tradição e mudança. Há os arranha-céus em construção no Norte da cidade que pretendem ser o imponente distrito financeiro da capital da oitava economia do mundo; e há o horário laboral de Verão (das 8 da manhã às 3 da tarde) que contempla o antigo hábito da sesta, libertando assim os madrilenos do calor sonolento. Já houve políticos que pensaram mudar a tradição. Não foram em frente. E esse dia de trabalho, que termina ao início da tarde, continua a escandalizar o empenhamento 'corporate' dos empresários estrangeiros. Em Madrid há um bairro 'gay', há casamentos homossexuais, há uma sociedade que, segundo as estatísticas, é das mais tolerantes com o consumo de drogas. Mas também há, nas paredes de alguns prédios, cartazes fascistas, da Falange, que prolongam no presente a fúria de uma guerra civil que, apesar de ter 70 anos, ainda não foi digerida. Há prostitutas em mau estado, diurnas, bem vísiveis, naquela que deve ser a rua mais conhecida da cidade, a Gran Via, lado a lado com as montras estilizadas do colosso empresarial Inditex (Zara), símbolo do poder económico espanhol, com lojas que se espalham do Panamá a Xangai. Porque a voracidade que se atribui ao estilo de vida em Madrid não se fica pela diversão nocturna: a região já atingiu a população prevista para 2012 (6,5 milhões) e continua a aumentar o rendimento 'per capita' (27279 euros ao ano). (...) Lema da comunidade de Madrid: 'La suma de todos'. "
NS 9/06/07

Um meme

"Um meme é um "gen ou gene cultural" que envolve algum conhecimento que se passa a outros contemporâneos ou descendentes. Os memes podem ser ideias ou partes de ideias, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma. Simplificando: é um comentário, uma frase, uma ideia que rapidamente é propagada. Este neologismo foi criado por Richard Dawkins dada a sua semelhança fonética com o termo "genes". "

O que é um blog?

Um blog é uma janela.

A resposta está aqui:

"Explicação genérica
- Se passares por uma casa e a janela estiver aberta, podes vislumbrar parte dessa casa. Talvez até só de uma divisão. Para entrares tens de passar a porta. E nem assim tens a certeza de que te convidem a ir além da sala."

sexta-feira, junho 01, 2007

4 meses e meio


Foi uma despedida comovente, uma semana de sorrisos e de votos de felicidades, de desejos de visitas frequentes, de regresso no futuro, de promessas...
Assim foram os últimos dias dos curtos 4 meses e meio deste primeiro estágio. Humanamente muito enriquecedor e intelectualmente estimulante, em que se desenvolveram e integraram ritmos de trabalho, e nasceram amizades que espero saber manter.
O susto de um ritmo alucinante do 1ºdia, de uma época com casos complicados e outros menos mas também trabalhosos se juntavam, e do confronto com uma 1ªurgencia no 2º dia, sem experiência prévia deram lugar à tranquilidade e saudade nos últimos dias.
Recordações com sorrisos: "a dra por acaso não é da China?", aflições, distracções, tudo se mistura. Sempre com amigos, novos e antigos...atentos, presentes. Nunca faltou o apoio. O fim não parece o final.

segunda-feira, maio 28, 2007

Às A.s

"Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão" - fui roubar ao NonSense este pedacinho que já tinha sido roubado também ;p

"Mesmo que se queira, mesmo que se conheçam pessoas de quem apetece ser amiga, não se pode ter muitos amigos. Ou melhor: nunca se pode ser bom amigo de muitas pessoas. Ou melhor: amigo. A preocupação da alma e a ocupação do espaço, o tempo que se pode passar e a atenção que se pode dar - todas estas coisas são finitas e têm de ser partilhadas. Não chegam para mais de um, dois, três, quatro, cinco amigos. É preciso saber partilhar o que temos com eles e não se pode dividir uma coisa já de si pequena (nós) por muitas pessoas.

Os amigos, como acontece com os amantes, também têm de ser escolhidos. Pode custar-nos não ter tempo nem vida para ser amigo de alguém de quem se gosta, mas esse é um dos custos da amizade. O que é bom sai caro. A tendência automática é para ter o um máximo de amigos ou mesmo ser amigo de toda a gente. Trata-se de uma espécie de promiscuidade, para não dizer a pior. Não se pode ser amigo de todas as pessoas de que se gosta. (...)

A amizade vale mais do que a razão, o senso comum, o espírito crítico e tudo o mais que tantas vezes justifica a conversação, o convívio e a traição. A amizade tem de ser uma coisa à parte, onde a razão não conta. Ter um amigo tem de ser como "ter uma certeza". Num mundo onde certezas, como é óbvio, não há.

(...) Ser amigo sem esforço, sem sacrifício, é ser amigo sem amizade. Gostar das pessoas é fácil. Ser amigo delas não é. Mas as coisas que valem a pena não podem deixar de ter a pena que valem. É pena não se poder ser amigo de toda a gente, mas um só amigo vale mais do que toda a gente. Porquê? Sei lá. Mas vale."

M.E.C.

domingo, maio 06, 2007

Uma cidade





Uma tarde, três noites, dois dias...uma cidade com imenso para explorar...sete amigos...há que escolher, deixar-se levar e seduzir por cores, sons e vertigens...um apartamento.
E cá estamos!
Partida: afinal, foi um fim de semana prolongado escolhido por mais gente conhecida para dar um pulinho a Barcelona, que encontramos na fila para o check-in, com quem nos cruzamos, e com quem nos voltamos a reencontrar no regresso :)
Voo tranquilo, no turquesa da ClickAir, que até rende
u! Metade do reflexivo "Last Kiss" :)
Chegada: amigas da S. esperam-na no aeroporto, orientam-nos e aconselham-nos com a simpatia própria de quem acolhe na sua cidade e deseja que daí levemos grandes memórias...next: aerobus até ao centro, passamos pela Praça de Espanha, onde voltaremos ao fim da tarde por sugestão da C. que nos escreve "das 19h às 21h, a não perder"...curiosidade aguçada sem dúvida! Saída: Universitat...o que me vale é a orientação alheia, senão perder-me-ia dia sim dia sim! E cá estamos, encontro com o nosso intermediário imobiliário, de ar sul americano, desce da sua vespa e na altura da caução, revela o seu ar profissional com o seu MB portatil...não falta nada! Visita geral: espaçoso, com tv, dvd e aparelhagem...nada mau sim sr! Distribuição dos quartos, relativamente pacifica, nem se desfazem malas, é descansar...e se nos fôssemos abastecer para os pequenos almoços, sandes para o dia seguinte...pelas movimentações, há LIDL perto! E os cavalheiros ficam em casa, confiando na nossa capacidade de escolher as marcas dos seus produtos preferidos lol! Chega o C. a trabalhar por lá há uns tempos, mas sempre com saudades dos amigos...Saímos, metro rumo à Fonte Mágica, e encontramos também S. mano do C. a trabalhar em Londres, que em conversa, descubro ser amigo de um amigo meu da adolescência que também se encontra em terras de sua majestade, e mais uma vez, sinto que o mundo é uma pequena aldeia em ponto grande!:)




Fotos, muitas! Desde as menos convencionais (como às gruas!) até às mais inesperadas passando pelas tradicionais claro!E até um video com a coreografia aquática ao som de Beethoven, foi registado!



A Praça de Espanha é actualmente um dos lugares por onde os turistas passam a caminho de
Montjuic; no passado, marcava a entrada na cidade, po
is era nela que se encontrava a creu coberta (cruz coberta), um cruzeiro gótico que indicava a chegada a Barcelona. No meio da praça, encontra-se a Fonte Mágica desenhada pelo arquitecto Josep Maria Jujol, um discípulo de Gaudí. É uma grande fonte construida em 1929 que, quando activa, muda constantemente de cor e forma. Durante os fins de tarde de verão, ao pôr do sol, é atracção para centenas de visitantes que observam espectáculos de luz, água e música com duração de cerca de 15 minutos.

De volta ao centro, passeamos nas Ramblas antes de, pontualmente, cof cof, chegarmos ao "Happy" para um jantar animado! E à meia-noite, expulsos, rumamos a um bar Erasmus, com aspecto medieval, o Ovelha Negra, com uns seguranças tão intimidadores como o Lobo Mau lol para continuarmos em amena cavaqueira. E já vencidos pelo cansaço...sleep.

A Cidade Antiga é atravessada pela avenida mais famosa de Barcelona, as Ramblas, ladeada de cafés e de restaurantes e com uma animação e movimento permanentes.

Sábado, manhã cinzenta, que se transforma em dia ensolarado! Bom dia para passear, para conhecer e para festejar! Afinal é um quarto de século (deve haver aqui algum equivoco, eu não "vivi" 25 anos :/ ). Apesar do roaming, adorei ter ouvido os "parabéns" cantados em coro a km de distância, as felicidades sinceras desejadas por vozes em que senti um sorriso, ou lidas em palavras calorosas e elogiosas!
Sandes feitas, banhos tomados...metro rumo ao Parque Guel! Mais fotos coloridas, embora reparemos que os catalães estão fartos de turistas!


Entre as obras-primas do genial catalão (1852-1926), destacam-se, além do colorido Parc Guel, classificado como Património Mundial pela Unesco, a bela e extravagante igreja da Sagrada Familia (inacabada), a fantástica Casa Milà(mais conhecida como «La Pedrera», de paredes onduladas e estranhas chaminés).

Movidos por duas sandes para cada um, uma Cola e algumas sandes extra (chouriçao+queijo, ou mista com ovo lol), subimos um declive um bocadinho acentuado, o T. ainda nos brindou com uma sinfonia golfinho-like que não passava despercebida...e quando pediamos para nos tirar uma foto, em castelhano ou inglês, o mais certo era ouvirmos como resposta "sim, uma foto, claro). Grande representação tuga entre os turistas de Barcelona neste fim de semana!
A nossa imaginação para as poses continuava quase infinita e, depois das Casas de Chocolate, até o Homem Estátua quis uma!



Let´s go, depois dos postais, ainda temos quase uma tarde inteira pela frente! Caminhadas são a nossa especialidade e lá fomos rumo à Sagrada Família, obra complexa, com muitos pormenores carregados de simbolismo, que ficamos a perceber graças à C. e o seu magnifico guia.



Impossível de lhe resistir, os nossos gajos tiveram de comprar uma bola e exibir ao povo catalão as suas proezas futebolísticas...por todo o lado, desde a rua aos próprios caminhos do metro! E houve sempre quem acompanhasse, estilo anúncio da Nike ;)

Fim da Tarde, Bairro Gótico...uma surpresa musical a cada esquina, concertos de musica clássica nos claustros, uma catedral imponente, em homenagem à padroeira, Sta Eulália. Entrevejo uma pastelaria com bom aspecto e boas iguarias, como se pode comprovar!



Nem mais...bolo de anos! E o tempo corre, de volta a casa, para nos arranjarmos pro jantar de logo!



Bairro Gótico - Localizado no centro de Barcelona, o Bairro Gótico é constituído por ruas estreitas e tortuosas com restaurantes, comércio, cafés e bares. a catedral, prédios medievais e Plaza Sant Jaume são alguns dos pontos que devem ser visitados enquanto se perde na parte mais romântica da cidade .



E saímos...uma noite amena, agradável, encontramos uma pizzaria simpática, com especialidades exóticas, como pizza libanesa! Um aniversário em grande!*



De volta ao centro, conhecemos o G. lá em Erasmus, amigo de uma amiga que já tinham conhecido noutra viagem e nos levou para uma disco, de seu nome "Bikini" (?) não sem antes nos cruzarmos com a mescla de pessoas exuberantes ou discretas que povoam a noite catalã :)
Em Barcelona, a noite compõe-se de 3 fases: restaurantes fecham pela meia-noite, os bares pelas 2h e as discos pelas 5h...por isso, de acordo com a hora, há que escolher o sitio aberto!
Quando nos fartamos, rumo a casa, a visita turística continua de manhã!

Domingo, manhãzinha...destino, La Gracia, a avenida mais fashion de Barcelona, onde já tínhamos passado, mas não visto...rumo a "La Pedrera", uma famosa obra de Gaudi completamente incontornável...depois de uma pequena fila, munimo-nos dos audioguides (em inglês ou castelhano, conforme as preferências) e, atentamente, seguimos as explicações para cada pormenor, cada curiosidade, cada enquadramento histórico, cada simbolismo. Pasma saber que há apartamentos habitados, que há um motivo, que tudo é pensado e reflectido, e que o que parece diferente, quando se une, faz sentido. Enebriadas por tanto, só damos conta das horas passadas quando o estômago grita por atenção...e então saímos, quase que hipnotizados em direcção a uma casa de sandes que nos apaziguasse lol...claro que no caminho, ainda paramos para admirar o restauro colorido com que Gaudi brindou La Gracia!



De tarde, pontas soltas e algum descanso antes de voltarmos para preparar o nosso jantar de despedida! Com registo fotográfico dos vários passos, fica um "arroz de camarão" para a História!

Depois, por sugestão do G. que nos prometeu enchidos e provas de vinho, enveredamos por uma viagem cheia de peripécias até a uma feira popular onde experimentamos a vertigem da Roda Gigante.



À ida, um pequeno susto no metro, onde na carruagem onde estávamos alguém resolveu abrir um extintor que inundou o ambiente de fumo branco e prejudicou a nossa permeabilidade de vias aéreas...além do pequeno susto, claro está, que nos levou a mudar de carruagem na próxima paragem. Mesmo assim, o metro parou...por pouco tempo, ninguém deve ter percebido nada. Na feira conhecemos a V. de Buenos Aires, a fazer o correspondente ao internato geral por lá e que pondera tirar a especialidade nos States, e que teve de aturar as nossas dúvidas sobre a situação politica e económica atribulada da Argentina ;) À vinda, no regresso ao metro, apanhamos uma molha como S. já lá há um ano e meio, nunca tinha apanhado! Enchente no metro, calor humano que chegava a ser um bocadinho abafado lol Chegada!




2h de sono, malas prontas...tudo como dantes no apartamento, não esquece nada...chove...vamos de taxi...aeroporto! Barcelona despede-se chorosa ;)

Havemos de voltar, sem dúvida. Foi um relâmpago, fica sempre muito por ver e por rever!